Ilustração: Les Gallagher ©ImagDOP

 

 

Baleia-de-bossas

Megaptera novaeangliae

 

O nome científico desta espécie refere-se ao desproporcionado tamanho das barbatanas peitorais destes animais. "Megaptera" significa "grande asa" ou "grande barbatana". De facto esta é provavelmente a característica mais distintiva desta espécie, pois as suas barbatanas peitorais podem equivaler a um terço do tamanho total do animal, que em média é de 14m, e normalmente são bastante claras, contrastando com a coloração mais escura do dorso. Outra característica distintiva desta espécie é a "bossa" que possui na parte anterior da barbatana dorsal, que em conjunto com as barbatanas peitorais tornam esta baleia inconfundível.

A baleia-de-bossa alimenta-se principalmente de eufasíáceos (pequenos crustáceos parecidos com camarões) e de pequenos peixes. Como os outros membros da Família Balaenopteridae, esta espécie utiliza a boca como um grande filtro, enchendo-a de água que expelem em seguida com o auxílio da língua, o que faz com que o alimento fique aprisionado contra as "barbas" queratinosas que estão suspensas da parte superior da sua boca. Em alguns casos animais desta espécie foram vistos a fazer "redes" de bolhas, expelindo ar dos espiráculos à volta de um cardume de peixes, para não permitir que eles fujam.

A espécie é cosmopolita, isto é, ocorre em todos os oceanos, e como os outros membros da sua família apresenta migrações pendulares entre altas e baixas latitudes. Durante o verão viajam para águas mais frias e durante o inverno retornam para águas quentes, onde a maior parte dos nascimentos e da actividade sexual se desenvolvem. O comportamento reprodutor desta espécie é bastante complexo, envolvendo vocalizações chamadas "canções", que são bastante agradáveis ao nosso ouvido.

Com intervalos de 1 a 2 anos as fêmeas dão à luz a uma cria de 4.3m após aproximadamente 2 meses de gestação. A cria é amamentada durante 10 a 11 meses e atinge a maturidade sexual por volta dos 5 anos, o que equivale a um tamanho de 11.5m nos machos e 12m nas fêmeas.

Nos Açores ela não é comum, mas tem sido vista ocasionalmente durante a Primavera. Há indícios de que no Atlântico Nordeste esta espécie tenha uma das zonas de reprodução em Cabo Verde.

A espécie já foi vista em alimentação perto de zonas de bancos submarinos nos Açores, devendo estes desempenhar um papel relevante na alimentação durante migrações.

Texto: Rui Prieto