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Ilustração:
Les Gallagher ©ImagDOP |
Roaz
Tursiops truncatus
Esta espécie apresenta duas formas, uma costeira e outra pelágica, que
deverão diferir principalmente quanto às estratégias alimentares. A forma
costeira é representada por animais que frequentemente são residentes, isto é,
ocupam uma área restrita, e em oposição a forma pelágica é constituída por
animais que não apresentam fidelidade a áreas restritas, ocupando zonas muito
mais vastas de oceano. Há evidência de que estas duas formas estejam presentes
nos Açores.
Os golfinhos desta espécie são facilmente identificáveis devido à sua coloração
homogénea, cinzento-azulada dorsalmente e branca ventralmente, e ao seu bico
que é mais proeminente na mandíbula inferior. No entanto podem ser confundidos
com golfinhos-pintados que têm uma coloração bastante
parecida com a dos roazes no estado juvenil.
A sua alimentação é muito variável, sendo composta por peixes, cefalópodes
(lulas, polvos e chocos) e invertebrados, e como as outras espécies de
odontocetes utilizam o seu sistema de ecolocação para procurar alimento.
Os roazes adultos têm em média entre 2.7m e 3m, e a maturidade sexual é
atingida entre os 11 e 12 anos, o que equivale a um tamanho médio aproximado de
2.4m. A gestação dura um ano e as crias nascem com um comprimento compreendido
entre 1 e 1.3m.
Formam grupos pequenos com menos de 10 animais na forma costeira. Embora os
grupos formados sejam pequenos, têm uma organização social complexa e coesa. O
seu comportamento gregário e cooperativo em alguns casos foi estendido para
relações de cooperação com os seres humanos, como é o caso na Mauritânia e no
Brasil onde existe uma pesca cooperativa em que os golfinhos encaminham o peixe
para a rede dos pescadores e em troca estes dão uma parte do produto da pesca
aos golfinhos.
Em outros lugares grupos ou indivíduos isolados desta espécie procuram
espontaneamente o convívio com os seres humanos, mas isso contribuiu para que a
maior percentagem de acidentes envolvendo golfinhos em liberdade, que de alguma
forma puseram em risco vidas humanas, fossem com roazes.
Nos Açores a espécie
ocorre durante todo o ano e durante os meses de Primavera/Verão têm sido vistos
grupos com crias. Os estudos de foto-identificação efectuados à volta das ilhas
do Faial e Pico ainda são preliminares, mas há indicações de que poderá haver
residência destes animais nestas ilhas.
Texto: Rui Prieto