Ilustração: Les Gallagher ©ImagDOP

 

 

Moleiro

Grampus griseus

 

O moleiro, ou grampo, é uma espécie bastante característica. A cabeça termina em ângulo reto e não existe um bico visível. Quando visto de frente, o moleiro tem um sulco em forma de V na parte frontal da cabeça. A sua coloração é escura nos animais mais jovens, mas com a idade a acumulação de cicatrizes brancas torna o corpo quase todo branco, com excepção da barbatana dorsal, dando a impressão de que estão cobertos por farinha, daí o seu nome açoriano de "moleiro".

Trata-se de uma espécie gregária que forma grupos de 20 a algumas centenas de indivíduos e que por vezes se encontra associada com outros cetáceos, principalmente baleias-piloto. As cicatrizes que cobrem os corpos dos animais mais velhos devem ser causadas em grande parte por disputas de ordem social, e são deixadas pelos pequenos dentes que nesta espécie não ultrapassam sete pares no maxilar inferior.

A sua alimentação é essencialmente composta por lulas, mas pode ocasionalmente consumir outros organismos, como outros cefalópodes, ou peixes, e por vezes os animais são vistos a viajar em formação, separados por distâncias constantes, no que poderá ser uma estratégia de caça.

Os estudos sobre a biologia desta espécie são muito escassos, pelo que não são conhecidos os seus parâmetros reprodutivos.

Nos Açores os moleiros são uma espécie relativamente comum, e podem ser vistos com frequência perto da costa. É plausível que alguns grupos possam ser residentes e é comum avistarem-se grupos com crias, principalmente durante os meses de Verão (mas há pouca informação disponível durante o Outono/Inverno, pelo que não se podem tirara conclusões sobre uma época de reprodução). São animais tímidos e parecem ser bastante perturbáveis pela presença de embarcações. No entanto por vezes aproximam-se destas.

Texto: Rui Prieto