Garajau-rosado

Sterna dougallii

 
  Ilustração: Gonçalo Cabaça - ImagDOP

 

 

Os adultos reprodutores apresentam uma mancha preta na cabeça e uma tonalidade rosada no peito (donde deriva o seu nome). No início da época de reprodução o bico é completamente negro, mas após a eclosão das crias, a sua base torna-se vermelha. Em voo e à distancia os indivíduos parecem quase brancos. Na realidade, a parte superior do corpo é de um cinzento muito claro. A cauda é branca e bifurcada com guias mais longas que as do garajau comum. As dimensões desta espécie são ligeiramente inferiores às do garajau-comum. Em média os indivíduos pesam 119 g e têm uma envergadura entre 76 e 79 cm.

O período reprodutor decorre entre Abril e Julho e os indivíduos formam colónias ainda mais densas do que os garajaus comuns, podendo atingir 3 ninhos/m2. Os ninhos situam-se em locais protegidos por rochas ou vegetação, mas os ovos (normalmente, um ou dois) são depositados directamente no chão.

A dieta desta espécie pode variar consideravelmente entre colónias e de ano para ano. As suas presas preferenciais são pequenos peixes, principalmente, agulhão, chicharro, peixe-agulha e peixe-pau. Em menores quantidades, ingerem também peixes mesopelágicos que efectuam migrações verticais (nomeadamente, mictofídeos).

Nidificam em todas as ilhas dos Açores, sendo mais abundantes nas Flores, Graciosa e Santa Maria. As cerca de 20 colónias açoreanas estão espalhadas por ilhéus e escarpas e são quase todas mistas (com garajau comum), contendo entre 2 e 200 casais. A ocupação destas colónias pode variar bastante de ano para ano. Estas aves são muito vulneráveis à presença humana, principalmente durante os períodos de postura e incubação. São territoriais e quando perturbados defendem o ninho com agressividade, chegando mesmo a bicar os intrusos.

Durante a época quente do hemisfério Norte podem ser encontradas na Europa (Irlanda, Inglaterra e Açores) e desde a América do Norte à Venezuela. No Inverno boreal migram para a costa oriental da América do Sul e África do Sul.

As estimativas populacionais apontam para uma população açoreana entre 400 e 1050 casais reprodutores, o que representa cerca de 60% da população nidificante europeia.

Nas últimas décadas as suas populações mundiais sofreram um decréscimo acentuado. Em todo o mundo restam menos de 2500 casais reprodutores, o que obriga a considerá-la uma espécie ameaçada.

Ilustração: Gonçalo Cabaça - ImagDOP