Angelito
Oceanodroma castro |
|
![]() |
|
| Ilustração: Gonçalo Cabaça - ImagDOP | |
![]() |
O Angelito,
também conhecido como Painho da Madeira, é a menor ave marinha dos Açores,
apresentando um comprimento de apenas 18-20 cm e um peso entre 33 e
67 g. A sua coloração é escura com uma faixa branca no uropígio e a
cauda é ligeiramente bifurcada. Podem ser avistadas a muitas
milhas da costa, normalmente alimentando-se sobre bancos de pesca. Não
seguem embarcações. As colónias açorianas de nidificação
desta espécie localizam-se em pequenos ilhéus desabitados, situados
em Santa Maria (Ilhéu da Vila) e na Graciosa (Ilhéus de Baixo e da Praia).
Os ninhos ocupam, preferencialmente, cavidades rochosas, frequentemente
em zonas baixas e planas, mas também em escarpas que podem ir até 400
m. Os efectivos açorianos totalizam cerca de 800 casais reprodutores,
dividindo-se em duas populações sazonais, a de época quente, que nidifica
de Maio a Novembro, e a de época fria que nidifica de Outubro a Fevereiro.
As aves da época quente são ligeiramente mais pequenas do que as da
época fria. Os seus hábitos alimentares distribuem-se
por todo o ciclo circadiano. Durante o dia capturam pequenos peixes
e lulas. À noite, ingerem organismos mesopelágicos que fazem migrações
nocturnas para a superfície (por exemplo, mictofídeos). Nos tempos da
baleação era observada frequentemente a alimentar-se dos desperdícios
desta actividade, razão porque também é chamada de melro-da-baleia.
Provavelmente existem importantes diferenças na dieta das populações
de época quente e de época fria, tendo em vista as diferenças consideráveis
que as duas apresentam nos níveis de mercúrio orgânico. De fins de Maio a meados de Agosto
esta espécie é frequentemente avistada ao largo da costa leste dos Estados
Unidos. Presumivelmente, para aí se deslocarão algumas das aves que
nidificam nos Açores. Durante o século XVII os Angelitos
foram intensamente explorados para alimentação e extracção de óleo. Pelo facto de a sua população
mundial ser inferior a 10 000 casais reprodutores e ter registado um
declínio moderado nas últimas décadas, esta espécie é considerada vulnerável. |
| Ilustração: Gonçalo Cabaça - ImagDOP |