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Assunto: Interdisciplinaridade, 2- Exploração económica de Recursos Marinhos, e 3- Drift nets
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MENSAGEM ORIGINAL
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Nome: Ricardo Serrão Santos
Data: 23 de Junho de 1998 às 17:28:02
Assunto: Interdisciplinaridade, 2- Exploração económica de Recursos Marinhos, e 3- Drift nets
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Comentário: Esta participação relaciona-se de alguma foram com as participações já inseridas nesta página de Debate do Fórum Oceanos: a de António Brandão Moniz, a de Duarte Nuno Vicente e a de Frederico Cardigos.O estabelecimento das zonas económicas exclusivas das 200 milhas foi um importante esforço para contribuir para a racionalizaçõa das pescarias em todo um mundo. Um esforço global. Na prática não contribuiu para impedir a continuada sobre-exploração dos recursos marinhos, mas pelo menos teve (e tem o mérito) de deixar aos países um instrumento jurídico para a gestão dos seus recursos. Está mais que comprovado que pela sua própria natureza os recursos pesqueiros são vulneráveis à sobre-exploração. O desenvolvimento das frotas de pesca e das tecnologias pesqueiras vieram incrementar ainda a espessura deste problema, por um efeito de camuflagem que pode precipitar o "trambulhão" (dos recursos). Elevada tecnologia pode manter rentável a exploração de um stock que já se encontra sobre-explorado. Em muitos casos é difícil, se não impossível, separar o efeito das capturas directas de pescado do das mudanças nas condições ambientais no que concerne aos processos de depressão e recuperação dos stocks. Este grau de incerteza torna a gestão das pescas um problema de facto complexo. Uma das questões centrais na gestão dos ecossistemas marinhos é a de saber se são de facto as actividades piscatórias ou os factores ambientais os responsáveis pelas mudanças na abundância de pescado. Um traço comum aos colpasos de muitos stocks de peixes é a combinação sucessiva do impacte da exploração excessiva associada a falhas de recrutamento causadas por condições ambientais adversas. A avaliação da importãncia relativa e do balanço entre estes dois tipos de factores (ou complexos de factores) são geralmente difíceis de estabelecer porque os dados históricos disponíveis são insuficientes para abalizarem os limites da variabilidade. É necessário um maior esforço para obter dados de monitorização regulares relativamente às várias componentes do ecossistema. A colaboração de oceanógrafos, ecologistas e biólogos pesqueiros no âmbito da modelação de ecossitemas é promissora para a compreensão das mudanças a longo prazo. Provavelmente não inspirará mudanças substanciais nas tácticas de gestão a curto prazo, e nem é para isso que essa colaboração está vocacionada. As soluções imediatas e a curto prazo deverão, provavelmente continuar a ser inspiradas em modelos de avaliação de stocks, e soluções orientadas por cientistas sociais, como os economistas, sociólogos e juristas, envolvidos em gestão das pescas. As reservas marinhas podem constituir soluções prudentes apoiando outras medidas de gestão. Haverá sempre necessidade de definir um sitema de quotas de pesca. Mas, na incerteza intrínseca aos modelos matemáticos de valiação e gestão, a prudência avisada exige soluções de conservação mais radicais, e porventura mais criativas. As reservas marinhas são primeiros passos óbvios para providenciar medidas de protecção que podem vir a beneficiar um alargado número de espécies, pelo menos até que mais conhecimentos estejam disponíveis. Há que ponderar com muita cautela e suspeição propostas de modernização das frotas. Se por um lado questões como a segurança a bordo e melhoria da conservação e transporte do pescado a bordo são irrecusáveis, já questões como o incremento da capacidade de pesca e sua "exagerada" sofisticação deverão ser amplamente confrontadas com os estudos a médio e longo prazo para conservação sustentável dos recursos, e com implicações no campo social. A redução do esforço de pesca e a regulamentação estrita dos métodos e das artes -(uma chamada aqui para a questão pertinente colocada por Frederico Cardigos relativamente às "drift nets"- a regulamentação neste caso deveria ser a sua abolição total- é absurdo continuar a permitir a sua existência)- podem ser feitas sem prejuízos para o emprego, se houver um apoio efectivo às pescas tradicionais e menos destructivas. Obviamente que isto exige uma maior colaboração com os cientistas da chamada área social, tendo em vista lidar pluridisciplinarmente com este problema que envolve não só gestão da biologia e ecologia de espécies exploradas (confrontadas com mudanças ambientais), mas também, e talvez igualmente importante, envolve a gestão do impacte no tecido social e económico das comunidades humanas envolvidas.
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